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domingo, 16 de novembro de 2008

Bebés com ganas de viver


Saiba os perigos da prematuridade

Um bebé prematuro é aquele que nasce antes das 37 semanas. Há diferentes graus de prematuridade, da idade gestacional (número de semanas de gestação) que o bebé tem. Há grandes prematuros e outros bebés que não nasceram assim tão precocemente.
É essencial estar preparada para esta eventualidade e saber como lidar com a situação. “É diferente ter nascido antes das 28 semanas ou nascer entre as 28 e as 32 e ter nascido entre as 32 e as 36.
O grau de risco, de imaturidade e da necessidade de cuidados especiais é diferente”, explica Teresa Tomé, neonatologista e Presidente da Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP). Os bebés internados nas unidades de cuidados intensivos ou nas unidades de cuidados intermédios (unidades que dão apoio especializado a estes bebés) beneficiam da presença dos seus pais, durante o internamento. “É verdade que o apoio dos pais é fundamental porque promove a estimulação do bebé.

São eles os grandes prestadores de cuidados por excelência”, adianta a neonatologista. Assim, logo que o bebé permita e tenha condições clínicas para isso, os pais podem intervir nos seus cuidados. “As unidades permitem a presença dos pais por tempo ilimitado. Normalmente, as pessoas não permanecem durante a noite porque não é humanamente viável que estejam consequentemente sem descansar”, diz-nos Teresa Tomé.
De um modo geral, estas unidades não têm alojamento para os pais. No entanto, podem continuar o tempo que quiserem.
A prematuridade é sempre um risco acrescido de morte no período pós-natal. “No entanto, temos uma mortalidade neonatal nacional de 3,5 por 1000. A taxa de sobrevivência vai reduzindo quando a idade estacional é baixa. Quando mais cedo nascerem, menor a taxa de sobrevivência”, explica a neonatologista.

Causas de prematuridade

A prematuridade tem múltiplas causas e muitas delas ainda são desconhecidas. “Claro que, muitas vezes, a mesma é decidida a nível médico. Pode haver uma situação de doença que leva em a que a placenta não funcione ou uma situação de gémeos em que há compromisso da vascularização dos bebés”, indica Teresa Tomé.
Nesses casos, mesmo com risco de prematuridade, pode ser decidido clinicamente antecipar o parto. “Há outras em que a prematuridade ocorre de forma espontânea e a mulher entra em trabalho de parto, sem sabermos o motivo.
Há quem fale no stress e em múltiplas causas”. Sabe-se ainda que a infecção pode ser uma causa da prematuridade. “Ainda há muito de desconhecido sobre este problema. Sabemos que, se a gravidez for melhor vigiada e controlada, e as mulheres evitarem a vida agitada e o exercício físico violento, estão a contribuir com medidas de prevenção para não virem a ter filhos prematuros”.

Nascimento precoce, cuidados redobrados

Com o nascimento antes do tempo, os pais devem adaptar-se a esta nova realidade e ter pensamento positivo!
Têm de se convencer que são essenciais para o crescimento do bebé e podem ser decisivos no seu desenvolvimento. “Aconselha-se que os pais treinem a alimentação e aproveitem a sua presença nas unidades para acariciar os seus filhos.
Os estímulos afectivos são fundamentais para a maturação do sistema nervoso”, esclarece a Presidente da secção de neonatologia da SPP.
A interacção funciona ainda como um reforço positivo para os pais que passam por um período de crise e de stress parental após o nascimento prematuro. “A intervenção nas unidades pertence aos pais em parceria com os técnicos de saúde”.
Quando os bebés se encontram em pré-saída, ou seja, quando estão quase a sair das unidades para finalmente irem para casa, os técnicos e as equipas médicas começam a treinar os pais para este processo de transição. “É assim que os pais podem ganhar maior confiança.
As pessoas têm a ideia de que os bebés estão mais protegidos e têm uma monitorização que não lhes podem dar em casa.
Nas suas casas, não existe uma pequena unidade de cuidados intensivos, o que gera alguma ansiedade aos pais nesta fase”, indica Teresa Tomé. É então muito importante que os pais ganhem confiança na decisão da alta. Sempre que necessário, têm acompanhamento psicológico nos hospitais onde as crianças são seguidas, como acontece, por exemplo, na Maternidade Dr. Alfredo da Costa.

E depois da alta?

Normalmente, é dada alta quando os bebés estão estáveis, já têm um peso adequado e já atingiram cerca de 35 semanas. “Claro que esta situação não é taxativa pois há bebés que se mantêm internados até às 40 semanas.
Depende muito da gravidade”. Os pais levam o bebé para casa com um plano específico, prescrito pela equipa médica. “São feitos ensinamentos em relação ao posicionamento do bebé e ao transporte adequado. Estes bebés podem ter o risco de parar de respirar, daí que seja muito importante, o adequado posicionamento”.
Os pais são ainda chamados à atenção no que respeita ao cuidado com o contacto com os riscos respiratórios e de infecção. Estes bebés não devem ir para o infantário muito cedo, dentro do possível. “Em simultâneo, não se recomenda o contacto com pessoas doentes, sobretudo porque estiveram muito tempo ventilados e correm mais risco do que os outros de vir a ter problemas de infecções respiratórias graves”, fundamenta Teresa Tomé.
Os pais devem ainda ter em atenção a exposição de vírus e outros agentes infecciosos, como o fumo do tabaco. “Por outro lado, devem estimular um processo de vigilância em consulta que pode minimizar o risco de sequelas”. Estes bebés prematuros devem ser rastreados em relação à surdez e aos défices visuais. “Têm um risco de ter uma alteração da retina, chamada de retinopatia da prematuridade, que normalmente é analisada de forma vigiada.
A longo prazo, pode evoluir para um problema da refracção (miopia, estigmatismo), daí a necessidade de um rastreio precoce. Os bebés prematuros devem ter uma avaliação oftalmológica desde muito cedo e de forma regular”, acrescenta Teresa Tomé.

Números nacionais

A maternidade lisboeta por excelência acompanha todos os casos de bebés prematuros que nascem nas suas instalações. Na Maternidade Dr. Alfredo da Costa, nascem entre 150 a 170 bebés prematuros todos anos. “A nível nacional, os grandes prematuros (aqueles que nascem com menos de 32 semanas) correspondem a 1% dos nascimentos por ano.
Em números redondos, temos 1000 nascimentos anualmente, a nível nacional e que são distribuídos por todos os hospitais que têm cuidados intensivos, de Norte a Sul do País”, sintetiza Teresa Tomé. As unidades a nível nacional diferem em termos de características e a população assistida varia consoante as mesmas.

Um comentário:

Sofia, Pedro e Joana disse...

Olá querida mamã, eu li uma entrevista, enquanto estive grávida, sobre a ala de neonatologia da MAC e sobre os cuidados prestados a bebés prematuros. Fiquei positivamente impressionada, sobretudo com a força dos mais pequeninos...
Beijinhos,Sofia,Pedro e Joana